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Muito se falou sobre a secularização da vida cultural e política ao longo do século passado. Em determinado momento, no Brasil e em outros países da América Latina –  quase todos profundamente marcados pela presença do catolicismo –, a dificuldade de efetuar mudanças sociais em meio a uma estrutura perversa chegou a levar a discussão até o ateísmo.

A associação entre religião e atraso se duplicava no caso desses países: não se trava apenas de opor razão e religiosidade segundo uma teleologia de caráter cientificista, mas de tentar mostrar concretamente o quanto esta última implicava um renitente conformismo. Seria necessário ser ateu.

Contudo, correntes ditas progressistas da Igreja fizeram o contraponto, revelando-se até mesmo como o modo de resistência mais eficaz contra a violenta repressão às tentativas de mudança social no continente. Isto ocorreu, por exemplo, nas últimas décadas do século XX com o avanço das célebres Teologias da Libertação. O caso emblemático foi a revolução sandinista na Nicarágua quando a religião católica apareceu ao lado de um programa socialista, para desgosto do papa João Paulo II.

A virada do século explicitou uma imensa diferença com relação ao quadro descrito acima: com o fim das ditaduras e alguns saltos de modernização, a globalização se tornou realidade. Isto permitiu uma relativização das tradições religiosas sem que o capitalismo tenha precisado ceder. O resultado foi o que temos hoje de mais intrigante no plano cultural de um país como o Brasil: o avanço dos evangelismos pentecostais ou neopentecostais como movimentos políticos em si mesmos, reivindicando poder e apontando para modos de inclusão e ascensão dentro do modelo social vigente.

É dentro desse panorama geral que Religiões e política em tempos de mudança surge como uma obra de fundamental importância. O livro se constitui como um precioso mapa para que estudiosos da relação entre religião e política possam enxergar com mais clareza as vicissitudes desse entrelaçamento, mesmo além do cristianismo, em direção a tendências recentes mais difusas, como a chamada “Nova Era” mencionada por Pablo Séman desde o Prólogo.

Em suma, os sete artigos incluídos aqui transitam da possibilidade de uma segunda etapa de descentralização da Igreja Católica (depois de João XXIII, a renovação da militância com Francisco) até a questão do poder evangélico nos âmbitos micro e macropolítico, passando pela questão da Nicarágua e da Nova Era mencionadas mais acima. Em todos os casos, o que fica é a certeza de que o assunto “religião e política” não pode ser simplificado, sob pena de recairmos nas piores dicotomias políticas de um tempo de mudança (certamente), mas também marcado pelos piores conservadorismos.

– Paulo Domenech Oneto, Professor doutor em Filosofia pela Université de Nice.

 

Peso 200 g
Dimensões 14 × 21 × 0.5 cm